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Percepções...

em 08/03/17


Apesar de ter deixado cair o tema aqui no blog, tenho uma opinião muito vincada sobre a percepção social dos nomes em Portugal. Sei bem que há quem se recuse a aceitar que um nome possa carregar, à partida, uma série de preconceitos, mas infelizmente eu não tenho dúvida nenhuma sobre isso. Se tivesse, todos os dias teria exemplos que me demonstrariam o contrário. Reparem nos comentários deixados na página do Facebook do jornal Público a propósito da notícia intitulada "Cristas conta à Maria porque se chamam todos os seus  filhos Maria" e onde se pode ler que a atual líder do CDS-PP, partido conservador de direita, escolheu colocar Maria nas três filhas e no filho porque é "cristã". A respeito de alguns nomes, que é o que interessa aqui, a adjectivação vai de "beto", "ateu", "super-esquerdo pós-revolução", "nome do povo", "russo comuna", a "novo rico e possidónio", "pimba". 
Dúvida? Nenhuma! 

Os nomes e a humilhação - será uma obsessão?

em 14/12/12


Gostei muito desta semana aqui no blog, porque tivemos oportunidade de explorar um pouco mais as nossas opiniões e o nosso gosto pessoal. Para terminar com chave de ouro, tinha decidido que ia abordar a "humilhação onomástica" e, mesmo a calhar, o Nameberry partilhou a ligação de um texto (em inglês) muito interessante e que vale a pena ler. Entre outras coisas, diz-se que "as pessoas querem acreditar que todas as pessoas - menos elas e as pessoas que elas conhecem - são malucas e escolhem nomes terríveis" e que alguma crítica inclui "gafes culturais", esquecendo que um nome totalmente estranho os nossos ouvidos pode ser absolutamente normal noutra cultura. E que "seria bom pensar que as pessoas ficarão mais tolerantes com o passar do tempo mas o julgamento dos nomes de bebés veio para fcar". 
Na vossa opinião, a humilhação por causa do nome próprio tem aumentado ou diminuído? Faz sentido pensar que os pais são o principal veículo de preconceito, já que as crianças estão muito mais abertas à diferença? E valerá a pena deixar de lado um nome que nos agrada muito apenas porque permite rimas infantis com palavras que não nos agradam? Será assim tão ofensivo uma criança gritar para a outra "A Ana come banana"? Têm conhecimento de casos graves em que um nome foi factor de exclusão? Não estaremos a ser demasiado protectores e conservadores, quando os nossos pais se libertaram dos fantasmas e escolheram para a nossa geração nomes vibrantes, efusivos e divertidos? Agora que penso nisso, acabei de decidir que não quero dar aos meus filhos um nome cinzento... 
Ainda a propósito do post de quarta-feira, em que abordamos os nomes nas diferentes classes sociais, transcrevo este trecho do mesmo texto:

Os pobres, os ricos e os nomes

em 12/12/12


O tema é sensível mas comecemos pelo básico: para mim, todos os cidadãos têm o mesmo valor, mais ainda os recém-nascidos, que são a coisinha mais semelhante que pode haver. Mas também é verdade que há cidadãos muito mais ricos do que outros. E, infelizmente, há uns que são muito mais pobres do que outros. E nestes dois extremos, há nomes próprios que não tendem a cruzar barreiras. Simplificando muito, isto origina aquilo a que chamam "nomes de ricos" e "nomes de pobres" e, destas duas categorias, é claro que há uma que tem uma carga muito mais negativa, por estar associada à privação. É-me muito mais fácil falar de "nomes betinhos" porque vejo isso apenas como sinal de riqueza, do que falar de nomes de pobres, que se colam a uma série de preconceitos muito mais graves. 
Para mim, os expoentes máximos destes nomes que não se cruzam são, no caso das meninas, Carlota e, no caso dos meninos, os clássicos portugueses seguidos de Maria. Manuel Maria, António Maria, Francisco Maria e José Maria, em particular. 
Há uns meses, reuni uma série de nomes compostos de crianças admitidas nos jardins de infância do ensino público. Sabem que nome não apareceu? Maria Carlota. Na lista de convocados para o Dia da Defesa, composta por cidadãos nascidos em 1993, existem 49 nomes masculinos seguidos de Maria apenas no concelho de Cascais (84 páginas). No concelho de Gondomar (80 páginas), sabem quantos nomes masculinos seguidos de Maria aparecem? 0. Zero. Nenhum. E quantas Carlotas? Zero. Em Cascais aparecem nove.
Estando perfeitamente consciente desta realidade, prefiro nomes mais neutros, que não me façam pressupor nem uma coisa, nem outra e por isso é que digo tantas vezes que não sou a maior adepta de nomes masculinos compostos com Maria. E também porque, longe de Cascais, numa pequena cidade do norte do país, o pequeno José Maria que estudou comigo e a quem jocosamente chamavam de Mariazinha, teve de enfrentar dias difíceis. Sim, porque o preconceito não se limita à pobreza nem é exclusivo de nenhuma classe social. 

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Antes que chovam críticas, não se esqueçam que estudei toda a minha vida em escolas públicas e muito mais próxima de pessoas com "nomes de pobre" do que com "nomes de ricos"; dos meus amigos que tinham escalão A e B, poucos foram os que chegaram à fase das bolsas de estudo e nem sempre foi por falta de bons resultados escolares. A vida não é igual para toda a gente e acreditar nisso é ingenuidade. 

Escolheriam um nome diferente?

em 06/11/12


E sugere a Ni:  

"Na linha destes "nomes diferentes", que tal um post sobre como os leitores fazem a gestão destes nomes na sua vida, ou seja, se só gostam de nomes diferentes e não querem colocar um nome da "moda", se só gostam de nomes da "moda", se até gostam de nomes diferentes, mas têm receio de colocar para a criança não se sentir muito "diferente", etc... Gostava de saber a opinião, porque me parece haver uma franca tendência para escolher nomes para bebés dentro de uma mesma linha (a tal moda), mesmo que não sejam os preferidos".

Abrindo as hostilidades, aqui fica a minha resposta: 

Não tenho o hábito de promover o blog durante as conversas do dia-a-dia mas quando o assunto vem à baila, inevitavelmente há alguém que faz referência ao último nome estranho que abordei e a pergunta que se segue é quase sempre a seguinte: "mas tu usavas esse nome [testa franzida, olhos esbugalhados, nariz torcido] no teu bebé?!". Na maioria das vezes, a resposta é não. Não usaria Petula, Ribca, Alírio ou Emaús, mas tenho a certeza de que seria capaz de responder que sim a muitos, muitos nomes. É verdade que já estou quase imune a alguns critérios de exclusão, como "faz-me lembrar a palavra x" ou "é nome de velho", mas há um que teima em não me abandonar: a reacção dos outros perante um nome verdadeiramente diferente. Não por minha causa, já que lido bem com as minhas decisões, mas porque não quereria que o meu bebé crescesse amargurado com um nome que lhe colocasse na testa o sinal de alvo a abater. 
Isto, claro, leva-nos a outra discussão: para mim, diferente é Tiara, Cereja, Carmério e Dóriclo. Mas não vejo o que gozar em Jerónimo, Solano, Eulália ou Selena e, se fossem os meus nomes preferidos, não seria a opinião de quem prefere Rita ou Soraia que me iria impedir de os usar. 
Quanto aos nomes da moda, acredito que o são por um motivo: são giros. E num determinado período de tempo, influenciado por vários factores, parecem ser os mais giros de todos, como fosse inacreditável que os nossos avós não tenham pensado neles para os nossos pais, e que os nossos pais não tenham pensado neles para nós. Graças a todos os deuses e santinhos, nós descobrimos esses nomes e, finalmente, a nossa família vai ter um membro com o nome mais bonito do mundo. Claro que é brincadeira, mas não anda longe da realidade. Os nomes são mesmo bonitos, apelativos, mas isso é cíclico e pessoalmente prefiro nomes menos usados. 
Talvez isto faça pouco sentido, mas lembrem-se que a minha mãe se chama Elvira e a minha avó paterna Eufémia e isso nunca impediu nenhuma das duas de se tornarem em mulheres absolutamente normais aos olhos dos outros e extraordinárias aos meus...

Leitura Recomendada - Percepção social de alguns nomes

em 23/08/12

O post do Nancy's Baby Names remete-nos para uns estudos interessantes, que tentam relacionar os nomes "invulgares" com a criminalidade. Não gosto nada de generalizações, mas penso que a percepção social de alguns nomes não deve ser desvalorizada no momento da escolha.